Um constante vir-a-ser

06mar10

por Mariana Lage

Sempre atual. Nascido do convívio de dois anos entre Denise Stoklos e a escultura francesa radical nos Estados Unidos, o espetáculo “Louise Bourgeois: faço, desfaço, refaço” aborda a vida, a obra e as sucessivas indagações desta artista inquieta que é também pensadora, escritora e desenhista.

Foi lendo os escritos e vendo os diversos trabalhos de Bourgeois que a atriz, diretora e coreógrafa motivou-se a elaborar um trabalho cênico que tratasse da grandeza transformadora da escultura. “Por mais que nos aproximemos de seu trabalho há sempre mais a surgir das diversas camadas de seus desenhos, trabalhos em pano, em bronze, em ferro, em aço e a própria palavra que ela esculpe nos seus escritos”, explica Stoklos.

Se Louise serviu como inspiração e como matéria viva da composição deste trabalho-solo, ela se tornou também responsável pela cenografia, pelo texto e por parte da música. Uma relação simbiótica que coloca a escultora como sujeito, autora e, ao mesmo tempo, personagem do espetáculo. Como explica Stoklos, um curto-circuito acomete todo a apresentação. “Isso é muito profundo para mim mesma, como atriz, pois não tenho o controle absoluto desta situação. É mais uma questão de leitura do público que atribui esse ‘ligar e desligar’ da atriz com a personagem e vice-versa, que tem por conta o fato que faço do texto narrativa e o assumo na primeira pessoa ao mesmo tempo”, descreve.

No palco, a proximidade entre as duas artistas são colocadas em jogo constantemente, o que contribui para que cada apresentação seja uma nova versão possível. “Esta ‘construção e reconstrução’ é um processo que a escultora passa a todo momento. É seu processo dialético de criação, ela mesma debate a sua própria proposta e apresenta-se uma síntese para em seguida debatê-la novamente, e assim segue”, explica Denise. “É um dos processos mais saudáveis que vi e experimentei para quem tem a posição de querer estar sempre discutindo-se e chegando a novas posições, aproveitando seus amadurecimentos e estando sempre presente!”, complementa.

O espetáculo estreou em Nova York no Moma, em 2000 e teve poucas apresentações nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

“Louise Bourgeois: Faço, desfaço, refaço”
Com Denise Stoklos
12 a 14 de março
21h (sexta e sábado), 19h (domingo)
Teatro Alterosa
Informações: 3237-6611
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2 Responses to “Um constante vir-a-ser”

  1. faço, desfaço, refaço. Parece um descritivo da própria trajetoria das peças de teatro, as sinopses, os roteiros, a alma humana, o quotidiano e o lúdico em ciclo nas fantasias que eternamente se renovam em formas sutilmente diferentes. Que alguém poderia acusar serem as mesmas… Nem tudo que parece novo o é de verdade, e algumas coisas novas de verdade são tão sutis que somem e não deixam rastro de sua novidade. Pra gente pensar… eu como artista plástico, e outros artistas em suas esferas…
    bjs

  2. ah, esqueci de dizer o que eu ia dizer no começo…. que ela parece a marília gabriela, Mas isso é comentário da minha mãe que acha que todo mundo é parecido mesmo não tendo nada a ver kkkkk
    bjão


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