Alexandre Farto

01jun09

por Daniel Toledo

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Ao mesmo tempo herdeiro e contemporâneo de grandes nomes da street art como Blek le Rat e Banksy, o jovem artista português Alexandre Farto tem conquistado cada vez mais espaço nas ruas de Lisboa. Farto faz parte de uma geração que teve contato com o grafitti ainda no início da adolescência e, aos vinte e dois anos de idade, já acumula quase uma década de atuação. Dos tempos de adolescente, o artista conserva o apreço pelo espaço urbano e o interesse pelo trabalho colaborativo. Fica clara também a influência do discurso artístico-político do grafitti sobre a visão do artista em relação à própria produção: “O street art é a maneira que encontramos para personalizar este nosso ninho artificial, visando devolver às ruas da cidade a humanidade que as deveria rechear”.

Mas enquanto os trabalhos de le Rat e Banksy têm em comum a representação da figura humana em tamanho muito próximo ao natural, a produção de Farto traz aos muros das cidades somente rostos de pessoas. São grandes e expressivos rostos, que por um instante redimensionam os espaços que lhes recebem e sugerem, sobre esses espaços, uma outra percepção. Nesse sentido, a força estaria menos na imagem em si do que na relação estabelecida entre ela e o seu contexto espacial. Mas além de afetar esses contextos com novos significados, as criações de Farto parecem convidar o espectador a superar a indiferença cotidiana e interessar-se pelo que dizem os rostos dos outros – sejam esses outros anônimos ou não.

Especialmente interessante é a série Scratching the Surface, em que os grandes rostos surgem como vestígios de alguma coisa perdida, que já não existe mais. Nessa série, Farto convoca ao primeiro plano as cores que se escondem dentro dos muros. Estabelecem-se, então, relações entre as cidades, suas ruínas e todas as coisas que dentro delas se desgastam sem, no entanto, deixar ruínas aparentes. Nos rostos conhecidos, o desgaste pode remeter à ação do tempo sobre a memória coletiva; nos outros casos, parece referir-se a invisibilidade que é condição para o indivíduo que está na rua. As paredes se descascam, a tinta escorre, as pessoas desaparecem e as imagens parecem desmanchar-se, aos poucos. Nada resiste à força da constante renovação urbana.

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Mas não é só na técnica de trabalho que o jovem português tem trilhado caminhos diferentes daqueles percorridos por seus mestres. Vale destacar que, enquanto Blek le Rat e Bansky resistiram enquanto puderam ao sistema de museus e galerias de arte, Farto já tem trabalhos expostos em duas galerias diferentes: uma em Lisboa, outra em Londres. E quando questionado sobre a opção de expôr em espaços convencionais, as palavras são certeiras: “Sim, desde que os artistas sejam respeitados como tal e respeitem os princípios da street art/grafitti. Quebrar barreiras, pintar a parede, mandá-la a baixo. Resumidamente: fazer o mesmo que se faz na rua”. E adiciona: “Mas a completa liberdade do artista e do espectador, para mim, está na rua”.

Abaixo, um belo vídeo sobre a série Scratching the Surface:

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2 Responses to “Alexandre Farto”

  1. 1 Clóvis Truppel

    parabens teu trabalho eh fantastico
    muito bom\o/

  2. 2 anabela

    Emocionantemente belo!


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