A crítica de Jean Tinguely

25mar09

por Daniel Toledo

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Conhecido como um dos fundadores da arte cinética, o suíço Jean Tinguely é também, no campo das artes plásticas, um dos maiores críticos à sociedade industrializada e consumista que já se desenhava na década de 1950. Tinguely participou da vanguarda parisiense e, nesse contexto, foi um dos signatários do Manifesto Neo-realista de 1960. Os membros desse grupo enxergavam o mundo como um conjunto de imagens que poderiam ser desmembradas e incorporadas aos seus trabalhos, indicando, assim como seus contemporâneos dadaístas, o desejo de aproximar vida e arte.

As esculturas-máquinas de Tinguely, em seu constante e ruidoso funcionamento, convocam o espectador a participar de experiências cheias de vitalidade, bom-humor e poesia. Tão cômicas quanto trágicas, as esculturas chamam atenção pelo arranjo quase sempre desajeitado e a visível inutilidade das suas complexas estruturas.

Encomendada ao artista pela organização da Swiss National Exhibition de 1964, realizada em Lausanne, a obra Heureka foi instalada na entrada do museu que abrigaria o evento. Para além dos elementos visuais elaborados por Tinguely, a obra chama a atenção dos ouvidos do público: é impossível deixar de escutar os rangidos produzidos por suas incontáveis correias, rodas, polias e freios. Com o fim da exposição, a escultura foi transferida para a cidade de Zürichhorn, onde permanece instalada até os dias de hoje.

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Para a praça localizada à frente do principal teatro da sua cidade natal, Basel, Tinguely criou e construiu, em 1977, uma grande fonte povoada por diversas esculturas-máquinas. Cada uma dessas esculturas, que aos olhos de muitos lembram atores, cantores e dançarinos, recebeu do artista um nome específico. Dr. Schuffler, Dr. Waggler e Dr. Suusser são alguns desses nomes, remetendo ao universo de professores-pardais e cientistas-malucos muitas vezes evocado pela obra do suíço.

Tinguely compôs, ao longo do tempo, um conjunto de alegorias da sociedade de consumo, caracterizada pela inconseqüente superprodução de mercadorias que há cinqüenta anos atrás já se aproximava do absurdo e parecia distanciar-se de qualquer regulação ou orientação ética. E o futuro dessas sociedades, aos olhos do artista, não seria muito promissor. Tal qual o destino da sua obra mais conhecida, a performance Homage to New York, de 1960, que reunia bicicletas, triciclos, carrinhos de bebê, banheiras, pianos, sinos, garrafas e extintores de incêndio em uma complexa rede de engrenagens. Após apenas vinte e sete minutos de funcionamento, a escultura se auto-destruiu .

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2 Responses to “A crítica de Jean Tinguely”

  1. 1 vitoria

    adoreiiiiiiiii….muito bom esse site

  2. 2 bruna rikalde

    legal zika do baile


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