Linhas

12mar09

por Mariana Lage

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“Elementos constitutivos das coisas e dos acontecimentos, as linhas formam geografias, cartografias, diagramas, antropomorfismos”. Situado entre o documento e a arte contemporânea, Linhas é também o novo trabalho de João Castilho, com o qual investiga a composição plástica da imagem a partir da linguagem fotográfica.

Inspirado pelos princípios da Land Art, o fotógrafo produz intervenções na paisagem com grandes quantidades de fios de lã, direcionando-as para formas mais orgânicas e antropomórficas. Contudo, sua preocupação maior é gerar uma imagem resultante de elementos característicos da fotografia. “Apesar de explorar esse lado de intervenção na paisagem, a fotografia ainda é muito forte – embora não seja a fotografia de registro como a praticada pelos artistas da Land Art”. É, como sabemos, uma investigação comprometida com enquadramentos, cores, luzes, contrastes. “Não tem como fugir da questão documental de toda fotografia, mas atualmente estou mais interessado na escritura da imagem”. Escritura entendida como uma nova forma não só de tratar o assunto fotografado como de conceber e produzir imagens.

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O olhar mais plástico e compositivo das imagens tem despertado o interesse do fotógrafo desde 2006. Época em que ainda desenvolvia o Paisagem Submersa, João foi convidado por intermédio do Ceia a participar do projeto Context, desenvolvido pela rede internacional de iniciativas culturais independentes RAIN (Rijksakademie Artists’ Initiative). A partir deste convite, ele transportou uma série de objetos coletados ao longo do Rio Jequitinhonha para as margens do Rio Niger, no Mali, na África Ocidental. Lá, em trabalho com o artista africano Alioune Ba, redistribuiu entre amigos e conhecidos cerca de 20 objetos e registrou as novas funções ou paisagens às quais foram inseridos. “De lá pra cá me tornei mais preocupado com esse tipo de projeto que envolve mais pessoas, em que me torno mais propositor do que executor”.

Esse viés de produção imagética o levou a desenvolver outros trabalhos recentes como a Série Cega, Suturas e A Metamorfose, este último constituído de registros das primeiras páginas de diferentes traduções do livro A Metamorfose, de Kafka. São todos trabalhos que têm a fotografia como ferramenta e vetor, mas que investigam sobretudo a encenação, a composição plástica e o envolvimento de interlocutores em suas proposições artísticas.

Ao que tudo indica, são nossos direcionamentos de uma prática artística tanto quanto um novo fôlego para o fazer fotográfico.

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