Veja através

13fev09

por Mariana Lage

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Desta vez, não. No lugar de “Vendo apartamento” ou “Procura-se Poddle”, vê-se mensagens não funcionais, sem utilidade aparente a não ser a de incitar uma experiência menos imediata da cidade, das casas e do próprio tempo. Desde a semana passada, as principais ruas de acesso ao bairro Santa Tereza ostentam faixas com frases como “Veja através”, “Assista a sua máquina de lavar como se fosse um vídeo” e “Perca Tempo”.

À primeira vista, o estranhamento. Aqueles acostumados com um olhar mais desviante sobre a vida cotidiana e a vivência no espaço urbano já apontam o dedo e nomeiam: “intervenção”; outros arriscam: “isto é arte!”. Para todos aqueles acostumados com faixas e propagandas abarrotando a cidade: um ponto de interrogação. Na melhor das posturas, um ponto de exclamação. “Sim, Perca Tempo!”.

Espalhadas pelos bairros de Santa Tereza, Horto e Floresta, as mensagens “anti-sinalização” do Poro são fruto da participação do coletivo no Verão Arte Contemporânea deste ano. Não, as mensagens não estão assinadas. Não há nenhuma logo, nem outra palavra identificadora além dos imperativos: perca, enterre, atravesse, assista. Como toda boa intervenção, é preciso estar no lugar certo e na hora certa para que uma proposta de desvio atravesse seu caminho. Aliás, “hora certa” e “lugar certo” não combinam muito com intervenções urbanas. Melhor seria dizer: basta andar pela cidade e estar aberto a essas pequenas interrupções no fluxo ordinário do cotidiano.

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Assim como aparecem, desaparecem. No fim de tarde desta terça-feira (09), entre 19h30 e 21h, a faixa localizada na rua Mármore, próximo ao restaurante Bolão, deixou seu lugar provocativo. Não é bom que permaneça por muito tempo no mesmo lugar. Estaria, assim, sujeita ao mesmo olhar banalizado que lançamos sobre coisas, situações e lugares que nos aparecem repetidamente sob a mesma figura.

Trabalhando principalmente com manifestações efêmeras, espaço público e mídias de comunicação popular, o Poro é formado por Marcelo Terça-Nada! e Brígida Campbell.

No Verão Arte Contemporânea estão previstas ainda outras intervenções do Poro. O GIA – Grupo de Interferência Ambiental (Salvador – BA) chega à Belo Horizonte para realizar intervenções de seu repertório e alguns trabalhos em parceria com o Poro. “Fique atento à cidade”.

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