paraSITE

11fev09

por Daniel Toledo

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No final da década de 90, governantes e comerciantes norte-americanos pareciam ter declarado guerra contra os moradores de rua que comumente ocupavam os centros das grandes cidades do país. Foi nesse contexto que as ruas receberam diversos adventos antimoradores de rua: agora era comum encontrar, ao longo de qualquer caminho, abrigos de ônibus com assentos estreitíssimos e superfícies com inclinação suficiente para que ninguém conseguisse dormir sobre elas. Além disso, tornavam-se cada vez mais populares sistemas de irrigação que, ao longo da noite, lançavam esguichos d’água sobre gramados de parques e praças – evitando que esses lugares servissem como leito aos moradores de rua.

Como uma resposta tática a essa situação, o artista norte-americano Michael Rakowitz desenvolveu e distribuiu, em 1998, cerca de trinta abrigos temporários para moradores de rua, os quais foram denominados paraSITES. Usando materiais baratos e amplamente disponíveis como sacolas plásticas e tubos de polietileno, Rakowitz construiu estruturas acopláveis às saídas de ar dos difundidos sistemas de climatização de edifícios. Por meio uma tubulação simples e adaptável, o ar quente liberado por cada edifício simultaneamente infla e aquece a estrutura do seu respectivo paraSITE.

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Segundo Rakowitz, além de funcionarem como abrigos temporários, os paraSITES transformaram-se em estações de empoderamento e resistência para os moradores de rua, atribuindo mais visibilidade às suas inaceitáveis circunstâncias de vida. O trabalho não se apresenta, é claro, como uma solução para a questão dos moradores de rua, mas como uma problematização das relações entre as pessoas que têm casa e aquelas que não têm.

Discussão semelhante aconteceu no ano de 2005, em São Paulo. Naquele momento a Prefeitura havia acabado de instalar, na calçada sob o túnel que liga a Avenida Paulista à Avenida Dr. Arnaldo, a primeira rampa antimendigo da cidade. “Feita basicamente de concreto, a rampa é construída de modo a cobrir toda a área entre a calçada e o teto dos túneis/viadutos onde antes moravam pessoas. Sua superfície é bastante inclinada e chapiscada, de maneira que impede que alguém experimente deitar na rampa para dormir”, explica Graziela Kunsch, autora de um excelente artigo sobre esse episódio.

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