Bestas: esculturas cinéticas

21nov08

por Mariana Lage

cinetica

Obras quase autônomas, as Strandbeest, ou Bestas da Praia, do holandês Theo Jansen são curiosas esculturas cinéticas que se movem pela força do vento.

Para compor essa espécie de insetos gigantescos, Jansen trabalha com materiais leves e ordinários como tubos plásticos, garrafas pet, fios de nylon e fita adesiva. Há cerca de 18 anos, o artista e engenheiro tem pesquisado a manipulação complexa das partes dessas esculturas animais a fim de criar a impressão que elas se movem e sobrevivem por si próprias. Seu trabalho é pautado pela idéia de criação, organicidade e vida natural. “Eu busco refazer a natureza com a idéia de que, no processo, possa revelar alguns segredos da vida”, diz.

Segundo informações do catálogo ArtFutura, de 2005, inicialmente as obras existiram em forma de códigos numéricos – próprios da linguagem do computador, tendo como fundamento um programa desenvolvido pelo próprio artista. Com o passar dos anos, Jansen iniciou uma pesquisa sobre a história da evolução biológica e os mecanismos de movimento com o intuito de prover suas criaturas de certas habilidades, como mover-se, avançar sobre obstáculos, acompanhar os ciclos naturais e, enfim, tornar-se também parte da natureza.

Em entrevista ao site GoodExperience, Jansen explica que nem sempre as ‘engrenagens’ funcionam. “Todos os dias eu trabalho tentando fazer com que simplesmente funcione – e funcione nem tanto no sentido da ‘arte’. Nove em dez tentativas falham. Mas uma em dez dá certo e isso me torna otimista para continuar”. Ele admite que, apesar da sua preocupação com a autonomia completa das obras, os insetos artificiais ainda são dependentes de intervenções constantes. Segundo conta, um reajuste é necessário pelo menos a cada cinco minutos – o que já é uma melhora considerável, uma vez que anteriormente tais reajustes aconteciam em intervalos de poucos segundos.

A sétima geração das enormes criaturas de praia é capaz de carregar pessoas e armazenar energia eólica por um curto período de tempo, devido à compressão do ar em garrafas plásticas, permitindo que se locomovam mesmo em dias sem vento. “Meu trabalho como engenheiro é mapear o processo de mobilidade e, como artista, esculpir o ar a nossa volta e dar-lhe forma”, resume.

Abaixo, uma breve entrevista com Jansen e as esculturas cinéticas em ação.

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One Response to “Bestas: esculturas cinéticas”

  1. 1 marilaine

    mariana,
    este blog de vocês está muito bom. parabéns pelo trabalho.


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