Histórias de uma arte expandida

28out08

por Mariana Lage

As apresentações deste ano do plano de ações Arte Expandida finalizaram-se quando das intervenções urbana do Laboratório: textualidades cênicas contemporâneas em fins de setembro e início de outubro com os coletivos Movasse, O Clube e Albatroz.

A partir de então o blog Converse: arte expandida tem trabalhado com as múltiplas abrangências do projeto, repercutindo o tema por meio de performances, bailarinos e companhias experimentais de Belo Horizonte, intervenções urbanas e arte pública no Brasil e ao redor do mundo, além de apontamentos conceituais em torno do campo expandido das artes. Uma das formas de repercussão é esta que se inicia agora e denominada como “Histórias de uma Arte Expandida”. Não se trata de um histórico do projeto, mas antes um ramalhete de múltiplas leituras e visões dos últimos quatro anos de Laboratório, Momentum, Improvisões e, quem poderia esquecer, ZIP (Zona de Invenção Poesia &).

A primeira conversa é com Luiz Carlos Garrocho, idealizador e coordenador do plano de ações Arte Expandida. O bate-papo se inicia com a contextualização das diferenças entre termos conceituais como arte expandida e arte contemporânea – cuja discussão vale um post a parte, em breve. Focalizando as avaliações e repercussões do projeto, Garrocho chuta a bola em direção a uma característica crucial da arte expandida: a experimentação. E em se tratando de experimentação, a conversa se espraia para a origem do projeto e as ações precursoras, também entendidas como fomento de uma certa expansão no campo artístico. “No Centro de Cultura Belo Horizonte, nós já tínhamos uma arte expandida, mas é, claro, que lá era mais plural. Optamos pela experimentação sem prejuízo para as outras ações como a biblioteca, concertos de musica barroca, mostras de cinema, recitais de poesia etc”.

Dentre tais ações, Garrocho destaca dois projetos que tiveram uma marca forte e decisiva no sentido das alargar os limites das linguagens artisticas em BH: o Cabaret Voltaire e a Zona de Ocupação Cultural. Cabaret Voltaire surgiu, por volta dos anos 1999 e 2004, com a parceria de Ricardo Aleixo – que, inclusive, sugeriu o nome ao projeto. Garrocho explica que a idéia desenhada inicialmente era uma ação voltada para um mini concerto, um sarau litero-musical. “Logo depois, nós resolvemos radicalizar e tivemos como primeiros convidados Ricardo Aleixo e Gil Amâncio”.

Ao lado do Cabaret, nasceu também o Zona de Ocupação Cultural, durante os anos de 2002, 2003 e 2004. O projeto tinha como norte ocupar o prédio histórico e transformá-lo, ressemantizando-o. Esse projeto, explica Garrocho, foi germinado a partir de três ações de ocupação realizadas no local naquele momento por Gustavo Schettino. Era uma época de pouquíssimos recursos financeiros e a saída se transformou em uma zona de ocupação composta por vários artistas convidados. “A zona tinha de tudo um pouco. Era uma turbulência de ocupações variadas. Poderiam acontecer apresentações mais clássicas ao lado de ações mais experimentais”.

“Já tiveram aberturas com performances da Grace Passô, bandas da PM tocando na porta do CCBH e rapel na lateral externa do prédio, enfim, várias ações que abarcavam a experimentação mas utilizava elementos da cultura pop, midiática, do esporte, da cultura tradicional, numa mistura enfim”. Ao longo dos anos, as Zonas de Ocupação foram agregando outras ações, como a discussão das questões urbanas, palestras e espaço de pensamento.

Um pouco antes, no entanto, de surgir o Cabaret Voltaire e o Zona de Ocupação, Garrocho lembra já ter ocorrido algumas ações experimentais como, por exemplo, o convite feito à Adriana Banana de realizar uma intervenção no espaço do CCBH no dia da mulher. “Foi a primeira vez que vi uma cena em looping sendo realizada na minha frente. Foi uma ação contínua em que tinha um ciclo que se repetia seguidamente durante horas. As pessoas poderia entrar a qualquer momento e assistir à intervenção”. “Ali ela demonstrou uma inteligência que apontou para gente aquilo que a gente chama hoje de site specific, uma intervenção apropriada às características do local”.

Numa espécie de finalização da conversa sobre as ações de experimentação no Centro de Cultura Belo Horizonte, Garrocho resume: “A história começou um pouco por aí. Nós estudávamos todos juntos, fazíamos a ação, a ação formava o público, o público formava os gestores e os gestores formavam novas ações”. E depois de CCBH, diz, o plano de experimentação foi convidado a se transferir para o Teatro Francisco Nunes e Marília. Mas essa é uma outra história, tão longa quanto pode ser, merecedora de outros posts.

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2 Responses to “Histórias de uma arte expandida”


  1. 1 Olho-de-corvo » Luiz Carlos Garrocho » Hip-Hop in Concert no Teatro Francisco Nunes fecha o ano de 2008
  2. 2 Olho-de-Corvo » um blog de Luiz Carlos Garrocho » Política de cultura: o balanço das horas

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