Corpo Aberto

26out08

por Mariana Lage

Na linha de experimentação com as tecnologias da comunicação telemática, Rodrigo Quik concebe e dirige o “Corpo Aberto”. A proposta de integração entre vídeo, imagem-movimento, música e web arte cria um espaço de experimentação virtual entre três bailarinos mineiros territorialmente distantes: Rodrigo, em Belo Horizonte, Raquel Pires, em Nova Iorque, e Anamaria Fernandes, em Rennes, na França. Além da performance telepresencial, trabalha-se também com a intervenção do público na finalização do trabalho.

Para a primeira parte do projeto, são previstos quatro encontros de improvisações de 15 minutos, viabilizados e disponibilizados ao público via web no site Corpo Aberto. Os encontros acontecerão nos dias 11, 14, 18 e 21 de novembro, às 11h, e serão transmitidos por meio de Webcams em três janelas abertas dentro de um Galpão Virtual.

Sobre o espaço de improvisação, Rodrigo explica que houve preocupação em trabalhar com as características locais onde os performers se encontram, ao invés de deslocá-los para espaços mais próprios à apresentações artísticas. “A estória é cada um estar na sua localidade, cotidiano, geografias, arquiteturas e intimidade. Ficou definido como local dos encontros de improvisação a sala de estar da casa de cada um”.

Num segundo momento, as improvisações e pesquisas de movimentos gravados na etapa anterior serão editados e disponibilizados em pequenas seqüências de vídeo e áudio no site. Na etapa seguinte, o público telemático se apropria destas seqüências, testa algumas montagens, edita e registra novas seqüências de movimentos, as quais poderão ser enviadas para o banco de dados do projeto. Há, por fim, a possibilidade do público-participante filmar a si próprio improvisando e enviar seu vídeo para a equipe do site. Os vídeos enviados passarão por um processo de seleção e passarão a integrar o acervo do site no próximo ano.

Todo o processo de pesquisa e ajuste dos últimos detalhes pode ser acompanhado através do blog do projeto. Dentre os textos publicados, Rodrigo Quik demonstra ser a investigação do corpo, do tempo e do espaço os focos principais do projeto.

“O próprio nome ‘Corpo aberto’ foi sendo o nosso norte. Será mais ou menos os nossos corpos se abrindo para nós mesmos, nossas buscas e pesquisas se abrindo para a exploração do movimento como fim. Tudo isso dentro de regras específicas e claras, sem objetivar um resultado espetacular e totalmente pronto na web. Correr riscos, descobrir este novo espaço da web para o corpo e o movimento. Buscaremos os meios pelos quais faremos a pesquisa e a presença como fim”, explicita.

Corpo Aberto pode, então, referir-se a um novo conceito. Um termo que tenta lidar com os novos limites corporais em mídias imateriais por natureza como a web e as câmeras digitais. Qual a natureza de uma performance que é realizada e fruída intermediada pelo monitor e pela conexão de dados? Como se dá a investigação do movimento e o diálogo entre corpos em movimento quando estes aparecem na forma de pixels, voxels, códigos numéricos disponíveis e visualizados através de interfaces computacionais?

Corpo aberto, de Rodrigo Quik
11, 14, 18 e 21 de novembro, às 11h
Assista no site Corpo Aberto.

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