Christina Fornaciari, Alexandre Milagres e Babilak Bah

08set08

por Daniel Toledo

A quarta e última noite de Improvisões conduziu o público aos bastidores do Teatro Marília, criando uma situação em que criadores e espectadores compartilharam o mesmo espaço, a mesma experiência. Mas se por um lado abandonou o tradicional palco italiano, por outro a apresentação trouxe do teatro a força do palavra e de um tema a ser subjetivamente explorado – rompendo nesse sentido com as noites anteriores.

Houve ainda a utilização de incensos e aromas que contribuíram para que uma sensação fosse criada e compartilhada pelos espectadores; para que se consolidasse esse outro lugar, esse outro universo onde a situação realmente aconteceu.

A iluminação e a cenografia, realizadas com competência, também sugeriam alguns ambientes habitáveis. Parecia haver sido previamente criado um repertório de elementos e ações possíveis, os quais poderiam ser explorados ao longo da apresentação. Entre os principais elementos cênicos destacaram-se as curiosas fichas médicas, a hiper-racional enciclopédia de doenças, o aquário-copo e a gondryana cama vertical.

Ainda que tenham se dado de um modo tímido em relação os demais elementos, as interferências em vídeo enriqueceram a cenografia e tiveram papel importante para o estabelecimento do clima singular da cena. Em outras palavras, essas interferências ofereceram-se mais como sensações e colaborações estéticas do que como algo que se pudesse tomar como informação ou conteúdo.

Talvez por conta da palavra falada, a performer centralizou os olhares do público durante grande parte da noite. Mas a palavra foi bem utilizada, ao mesmo tempo corriqueira e poética, transformando todos os presentes (inclusive os demais criadores) em pacientes tomados por algum tipo de patologia. Destaca-se, a propósito, a excelente integração entre a performer e o criador de som.

As intervenções sonoras, aliás, compuseram um espetáculo a parte: riqueza, diversidade, imprevisibilidade e pertinência, além da grande plasticidade dos instrumentos e do seu manejo. Muito interessantes foram os momentos em que o criador de som atravessou o espaço, compartilhando-o com a performer e deixando de lado a separação espacial dos criadores.

Aos poucos o público se entregou ao espetáculo, se identificou com o clima proposto. Antes que a situação se esgotasse ou se tornasse repetitiva, a performer – que em alguns momentos parecia misturar-se a uma espécie de personagem – “deitou-se” mais uma vez em sua cama vertical e desejou “boa noite” ao público presente. Ela certamente dormiria tranqüila, pois já havia feito a sua parte.

Anúncios


No Responses Yet to “Christina Fornaciari, Alexandre Milagres e Babilak Bah”

  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: