Livia Rangel, Elias Mol e Thiago Correa

06set08

por Daniel Toledo

No início da terceira noite de Improvisões, percebeu-se uma nítida separação entre os três criadores. Pareciam universos perfeitamente justapostos, fosse por detalhes como o contraste entre o figurino da bailarina e do criador de imagens ou mesmo pela diferença entre o clima que cada um dos criadores parecia querer instaurar na cena.

A disposição inicial dos elementos permitiu que a bailarina enxergasse a sua imagem no vídeo, enriquecendo essa relação e o domínio do corpo sobre a sua representação audiovisual. Preservando a plasticidade e a beleza dos seus movimentos durante quase toda a apresentação, a bailarina sugeria uma espécie de contraste ou confronto com os outros criadores.

É muito interessante e cheio de possibilidades o jogo proposto pelo criador de som, no qual de início não se sabe o que é feito ao vivo e o que está gravado. Ao longo da apresentação, no entanto, o jogo acabou ficando previsível e perdeu a força que tinha no primeiro momento.

Na segunda metade da apresentação, algumas intervenções vocais – num tom bastante agudo – foram adicionadas às interferências instrumentais. O som parecia buscar um momento de protagonismo e de provocação e, para isso, usou o recurso mais simples: o grito. Enquanto o público mostrava um claro desconforto com a situação, os demais criadores poderiam também ter explorado esse incômodo.

Aos poucos o vídeo foi abandonado, deixado em terceiro ou quarto plano, e substituído pela produção de uma grande imagem plástica a partir de colagens, pincéis e vassouras cheias de tinta. A proposta é corajosa e abre novas possibilidades em relação à temporada de improvisações, mas acabou sendo prejudicada pela iluminação muito simples e pelo próprio abandono do vídeo.

Aliás, a iluminação sem nuances, em que predominavam o totalmente branco e o breu, prejudicou a atratividade de diversos elementos cênicos e, em alguns momentos, da própria apresentação. Por conta disso, alguns figurinos e materiais de cena ofereciam-se ao público de forma excessivamente crua e pouco trabalhada.

Também não recebeu luz a bailarina quando escalou uma escada invisível e caminhou sobre a tela de pintura, num dos momentos mais surpreendentes da noite. Igualmente pouco explorada pela iluminação foi a chuva de papel picado, que em tempo recorde – foram cerca de trinta minutos de apresentação – anunciou o fim da terceira sessão de improvisações intermídias.

Anúncios


No Responses Yet to “Livia Rangel, Elias Mol e Thiago Correa”

  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: