Peter Lavratti, Nara Vargas e Wesley Cristiano

02set08

por Daniel Toledo

A primeira noite de Improvisões reuniu uma banda, dois bailarinos e uma equipe de vídeoartistas. Houve um acordo quase permanente entre o ritmo e o sentido das três linguagens, sendo menos exploradas as possibilidades de conflitos e descompassos. A integração entre corpo, imagem e som foi tanta que os maiores conflitos, os possíveis incômodos, aconteceram devido a ausência de um dos três elementos em determinados instantes. Destaque para a banda ao vivo, para as simples e belas imagens projetadas nas telas e para alguns momentos de excelente entrosamento entre a cinegrafista e os bailarinos.

É muito interessante quando corpo e vídeo se misturam, quando não se sabe se é a sombra pertence ao vídeo ou ao corpo que se movimenta no palco. É encantador quando o corpo some entre duas telas, entre duas dimensões, e reaparece ao ser iluminado por um feixe de luz; assim como quando o corpo vira uma tela em movimento para os riscos grossos e a tinta que aparecem no vídeo.

Em alguns momentos a imagem em vídeo revelaram a textura do tecido ou do corpo do bailarino; em outros, o corpo que se choca ou que se arrasta no piso do palco produz um ruído que se mistura aos acordes da banda. Reunindo guitarra, baixo e bateria, os músicos pareciam guiar os bailarinos e dialogar com as imagens em projeção.

A sutileza e a riqueza dessas relações foi algumas vezes interrompida por intervenções vocais, as quais geralmente apareceram como gritos em meio a uma conversa à meia voz, como um signo óbvio que surge num universo de metáforas. A mesma questão apareceu nos momentos em que o corpo se colocou a serviço do vídeo, oferecendo-se como mero suporte para o jogo das imagens que se projetam sobre as telas: como – e por quê – construir momentos de protagonismo ao longo do diálogo entre corpo, imagem e som?

E ao mesmo tempo em que se confirma o fim da narrativa convencional na obra de arte contemporânea, surge mais uma pergunta: como pôr fim a um espetáculo dessa natureza? No caso da primeira noite de improvisações intermídias, o fim só veio após alguns minutos de um silêncio inseguro e brotou baixinho, nas palmas de um corajoso espectador.

Anúncios


One Response to “Peter Lavratti, Nara Vargas e Wesley Cristiano”

  1. Daniel,

    Como por fim a um espetáculo dessa natureza?

    Não há uma regra, certo? O problema ficou evidente… Em diversas improvisações, essa é uma agonia. E, às vezes, uma agonia não enfrentada. Aqui não vai nenhum julgamento. Apenas uma avaliação: por onde caminha – se desenvolve – uma improvisação que se avisinha da experimentação?

    Não dá para um ou dois se retirar simplesmente e esperar que o outro se retire também. Essa é uma saída “combinada” “a frio”. Queremos, como público, ver uma saída “a quente”. A questão não está no término da performance, mas no modo como todos, incluindo público, empurram o jogo até um lugar. Pode ser uma repetição em looping. Mas isso, a repetição infinita, deve ficar clara para o público…

    Então, ninguém pode predizer (a palavra é esta) ao outro que o jogo terminou. Ele pode não querer. Mas, então, qual a cumplicidade com o público? Em que medida a composição toma forma diante do público?

    Nos chamados “tiros de improvisação”, o fim é predeterminado (um tempo, um sinal…). Seria esse uma solução para o Improvisões? Ou é melhor deixar que os artistas descubram um modo de encerrar?

    Abraços


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: