O Clube, o ócio e o parque

24jul08

por Mariana Lage

Estimulados pela infinidade de avisos distribuídos por todos os bancos do Parque Municipal, os integrantes do núcleo de criação O Clube tomaram as duas palavras “Proibido Deitar” como ponto de partida  para a intervenção urbana que preparam para o Laboratório: textualidades cênicas contemporâneas deste ano.

Segundo as atrizes Carolina Rosa e Patrícia Siqueira, que assumem a direção deste trabalho, a motivação surgiu do contraste entre a tal expressão – proibido deitar – e a característica de refúgio que o Parque Municipal assume. A paisagem e o público, assim como a utilização pessoal e coletiva do espaço constituem a base da criação cênica. “Nosso tema é o ócio e sua repressão pela sociedade. O Parque Municipal é uma ilha, no centro da metrópole, convidativa ao ócio. Da proposição inicial do projeto até hoje já houve um desenvolvimento da nossa abordagem sobre o tema, advinda da escolha do espaço, do estudo dos indivíduos, da maneira como utilizam esse espaço, como se relacionam com ele e o que buscam nesse lugar”.

O desafio para este Laboratório, contam as atrizes, é lidar e apropriar-se “de fato” de linguagens diversas como a música, a dança e a instalação, de forma que resulte em uma composição cênica coesa, “sem que haja dentro do todo, o momento individual do teatro, da dança, da instalação ou da música”.

Carolina Rosa explica que a experimentação de linguagem e de espaços não convencionais tornou-se mais presente no trabalho do grupo a partir de sua participação no Laboratório de 2006. A cena “Fragmentos Poéticos de 03 e nenhum”, apresentada no interior do coreto do Parque Municipal, proporcionou-lhes uma experimentação concreta com a dança e a performance, chamando atenção para as possibilidades de utilização de outras linguagens artísticas na cena. O espetáculo mais recente, “Quando as cores calam”, concebido para o espaço de galerias de arte, trabalhou dança, canto e artes plásticas como elementos de dramaturgia.

“Na primeira edição, os componentes do Clube foram atraídos pela diversidade de linguagens das oficinas e pela oportunidade de experimentação. Nesta edição, nosso interesse volta-se para a continuidade da experimentação, o desenvolvimento do trabalho e a possibilidade de ocupação de um espaço público urbano: o Parque Municipal”. “Nosso maior desafio”, concluem, “talvez seja resignificar este lugar para dizer o que queremos com este trabalho”.

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