Os Novos Jogos da Performance

22jun08

por Daniel Toledo

São vários os pontos levantados por Johannes Birringer ao discutir a noção e as potencialidades do diálogo entre tecnologia e performance. Simultaneidades, sinestesias, narrativas não-lineares, fragmentações, interatividades e multiplicidade são apenas alguns desses temas – brevemente explorados nas próximas linhas.

Num primeiro momento, é importante destacar que ele trata a performance como uma linguagem artística extremamente contemporânea, referindo-se com isso ao mais claro dos sentidos atribuídos ao termo. Trata-se de uma linguagem que busca apropriar-se do contexto contemporâneo, das tecnologias emergentes e dos recursos estéticos por elas proporcionados.

Surgem novas noções de espaço e tempo, expressas por meio de contínuas justaposições e simultaneidades que visivelmente alteram a obra de arte. Por meio da tecnologia, o objeto e a representação são dispostos lado a lado, afirmando-se e negando-se o tempo todo, disputando a atenção do público e provocando experiências estéticas de caráter singular.

Uma imagem que traz uma memória tátil, um som que remete a uma imagem mental: a performance lida com representações sinestésicas, reunindo estímulos de diversas naturezas e lançando-os ao público. Elementos que remetem a diferentes contextos convivem numa mesma obra. São ações que se repetem, que se contradizem e que concorrem; que exigem do público a habilidade de escolher a que assistir e de que forma articular os diversos estímulos disparados em sua direção.

Todos os participantes se transformam em atores, diferenciando-se somente pela ação direta ou mediada. Ao lado dos atores e bailarinos, entram em ação novas forças: a tela que continuamente exibe imagens digitais (brutas ou repletas de interferências); o câmera que circula no espaço e responde aos movimentos daquilo que registra; e o som que serve como estímulo ou como resposta às ações e imagens que se vê no espaço.

Num jogo de hierarquia fluida, os atores da performance negociam sentidos, propostas e construções estéticas diante do público e do instante. Os criadores apropriam-se das incontáveis possibilidades comuns a qualquer experiência artística, mas que neste contexto são multiplicadas pelos recursos tecnológicos colocados ao seu dispor.

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