O mundo de Tom Otterness
por Daniel Toledo

Popular entre crianças e adultos, o norte-americano Tom Otterness é um dos principais nomes da arte pública de Nova York. Por meio de esculturas que em muito lembram personagens de desenhos animados, o artista plástico tem construído uma crítica contundente sobre as relações de classe, além de tocar em diversas outras questões sociais. Moedas gigantes, trabalhadores que ostentam enormes ferramentas e personagens rechonchudos cujas cabeças são substituídas por sacos de dinheiro: esses são alguns dos elementos escolhidos pelo artista para referir-se ao embate entre o homem, geralmente apequenado, e as grandes cidades capitalistas.
Em sua primeira grande exposição individual, realizada em 1987, Otterness instalou no jardim de esculturas do MoMA quatro mesas de piquenique feitas em bronze – principal material usado pelo artista. Em volta de cada uma dessas mesas foram reunidos grupos heterogêneos compostos por executivos, operários, policiais, radicais e capitães de indústria. Nas palavras da pesquisadora e crítica de arte Harriet Senie: “uma combinação perfeita de divertimento, medo e surpresa”.
A mesma temática é explorada na obra The Real World, um dos primeiros trabalhos públicos do artista. Instalado em 1992 no Battery Park City de Nova York, o conjunto de esculturas traz diversas representações de um mundo que em muito ultrapassa a amena realidade daquele playground. Para o crítico de arte Michael Brenson, trata-se de “uma ampla alegoria social sobre arte e vida, em que os jogos de poder e controle são interpretados pelos adoráveis e astuciosos personagens de Otterness (…). Um parque imaginário com diversos elementos e histórias para serem contadas”.

Já na obra Life Underground, criada para a estação de metrô situada entre a 14th Street e a 8th Avenue, em Nova York, Otterness buscou materializar situações e comportamentos comuns ao cotidiano do lugar. Conservando o estilo marcante do artista, as esculturas foram instaladas em 2004 e reproduzem, entre outras cenas, momentos em que passageiros passam por baixo da roleta e moradores de rua são abordados por policiais. As esculturas tratam de pequenas infrações contra a autoridade e da maneira como esses pecados são recebidos pelos representantes do Estado. A oposição entre as moedas gigantes e os homens apequenados também está presente nessa obra, confirmando o interesse do artista pelas relações sociais baseadas na tríplice trabalho, dinheiro e poder. E não há quem duvide da força dessa tríplice em uma cidade como Nova York.
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gostei demais!
Bravo! Como artista, agradeço DEMAIS por esse post.