El pájaro
por Daniel Toledo

Quando, em 1989, o artista colombiano Fernando Botero doou a escultura El Pájaro à cidade de Medellín, seria difícil imaginar a força dos diálogos – e dos conflitos – que a obra estabeleceria com seu entorno. Na iniciativa do artista representava-se um ato de fé no futuro da Colômbia, realizado em meio a um contexto nada inspirador: Medellín era um dos principais centros mundiais de narcotráfico, sendo internacionalmente associada a guerrilheiros, seqüestradores e assassinos de aluguel.
Instalada no Parque de San Antonio, a escultura El Pájaro possui três metros de altura e pesa cerca de uma tonelada e meia. Conservando o peso, a descontração e a serenidade que caracterizam o marcante estilo de Botero, a obra foi criada como um elogio à paz e à ternura. Com a instalação da escultura, o artista pretendia atribuir novos ares à sua cidade natal, destacando a força da cultura colombiana e buscando despertar a auto-estima do seu país.

No entanto, seis anos depois da instalação da obra, o Parque de San Antonio recebeu um atentado até hoje não explicado: uma bomba foi instalada na base da escultura e, além de danificá-la, matou 28 pessoas e feriu mais de duzentos civis. Enquanto alguns compreenderam a ação como um protesto contra a exploração do povo pelo artista (devido aos altos custos de produção e criação da obra), outros associaram o atentado como uma forma de atingir o filho de Botero, que naquele momento ocupava o Ministério da Defesa.
Extremamente impressionado com o ocorrido, Botero decidiu produzir uma réplica da obra danificada e instalá-la ao lado do antigo pássaro, sem que o último sofresse qualquer reparo. A inauguração da nova obra foi realizada em 2000, justapondo, de um lado, o símbolo de um desejo de paz e, do outro, o vestígio da barbárie que, depois desse episódio, foi incorporada à história artística do país.
Filed under: Arte pública | 3 Comments
Impressionante, isso.
Uma obra de arte produzir um ódio tão grande. E em decorrência desse sentimento – ao que parece um ato não reivindicado, mas extremamente violento e direcionado – 28 pessoas morreram.
E alguém ainda duvida de que é um estado de guerra por toda a parte?
não conhecia essa história, é chocante. vi uma dessas esculturas grandes do botero outro dia e entendi a força que ele tem.
caso tocante. não estava preparado pra ler isso. realmente prova que a estética incomoda, toca e choca (é passarinho, ô)?